(Mas só na presença do meu advogado)
Mas falar o quê mesmo minha gente brasileira? Talvez, uma abertura filosófica, tipo auto-ajuda: "é como na vida, ganha-se e perde-se. Sempre, a cada instante."
Ou, então, um intróito ególatra: “Viram o que eu disse? Eu sou foda!”
Quem sabe uma chamada meio bíblica: “Há tempo de semear e tempo de colher”. E aí eu acho que é onde nos equivocamos querendo colher sem a devida semeadura.
Vocês sabem que eu não entendo nada de futebol. Mas a Fátima Bernardes também não e está lá, cobrindo os jogos da seleção brasileira (estava, né?). Então vou me atrever a fazer uma análise da atual conjuntura do futebol.
Digam-me, por favor, que seleção é essa que disputou a Copa em África? Nomes, personagens, craque avulsos. Todos preocupados com a valorização dos seus passes e conseqüentes milionários patrocínios. Equipe? Eu não vi. Muitos beijinhos, tapinhas e abracinhos, mas espírito de equipe... Nem de longe. Um técnico equivocado em razão de uma personalidade infantil e rabugenta. Uma situação desfavorável - por assim dizer -, tendo em vista a realização da próxima Copa no Brasil que, sendo hexa agora, não poderia ser hepta (é isso?) daqui a quatro anos.
Afinal, que zorra é essa? Só Brasil, só Brasil. Isso só quem deseja é o povo brasileiro, mas interesses outros, muito mais determinantes do que o nosso desejo, estão em jogo, literalmente.
Não gosto dessas teorias conspiratórias. Sempre me cheiram a paranóia (remember o Ubaldo). Mas, a cada dia, aumenta em mim a certeza de que o mundo gira em função das grandes corporações, em torno do lucro. Ele, o lucro, é o rei, o amo e o senhor e por ele e para ele tudo é possível, permitido e aceito e nada é imoral, ilegal ou engorda.
Nós?... Nós não passamos de pobres e ridículas marionetes, de títeres eletrônicos prontos a funcionar ao primeiro comando de BUY NOW!
Aí, encerramos o ano com o natal, e vem o carnaval, a páscoa, o dia das mães, dos namorados, e são joão e dia dos pais, dos avós. Ufa! E o comando sendo acionado vertiginosamente: BUY NOW! BUY NOW! BUY!
E, em anos como este, ainda tem a Copa do Mundo de Futebol. Vamos comprar vuvuzela, minha gente! Tv de LCD, 3D e o carvalho a quatro.
Isso sem falar no consumismo do dia-a dia, do fenômeno sócio-cultural dos shopping center.
Assisti, esta semana, na GNT, um cientista social americano comentando que, por lá, nas cidades menores, não existe mais vida cultural como concebida anteriormente. Hoje, a cultura é a do shopping center. Acontece, então, de algumas dessas cidades contarem com um número absurdo desses centros de compra e que estão permanentemente lotados. O programa cultural é comprar.
“Ora direis, ouvir estrelas...”. Onde foi que eu estava mesmo? Acho que a porrada que o Felipe Melo deu na minha cabeça me deixou atordoado até agora.
Pois bem. A tal da vaca, a fria. Voltemos a ela: o fracasso da nossa Seleção Canalhinha, digo Canarinho. Por que o Brasil perdeu? Isso eu sei responder, sem titubear. Porque jogou mal para cacete! Borrou-se nos calções. Mereceu a derrota. O pessoal lá do Seo Maurício (o de Nassau) mereceu a vitória. É simples assim.
O jogo de hoje? O que foi aquilo? Levou-me de volta a 1998, àquele jogo schifozo contra a França. Melhor deixar pra lá, sob pena de baixar o Ubaldo na plenitude da sua paranóia.
Pois é... como disse o marido da Suzana Werner: “Futebol são onze contra onze”. E é isso o que mais dói, porque, na verdade, no nosso caso, somos 192.304.735. Ou melhor, 192.304.734, depois da expulsão do Felipão Troglodita.
Lanço aqui uma campanha-promessa para todos(as) os(as) companheiros(as) baianandeiros. Para que o Brasil seja hepta em 2014, dentro de casa, a gente não vai comprar nada que não seja essencial, fundamental mesmo (tipo papel higiênico, saca?) até o final da próxima Copa.
E tenho dito!
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